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O excesso de tecnologia na infância: qual é o limite?

por | ago 11, 2020

Antes de tudo, é importante lembrar que estamos (ou deveríamos estar), todos, aprendendo a administrar melhor o tempo dedicado às telas. A assertividade em relação ao direcionamento dos nossos filhos no uso das novas tecnologias está diretamente relacionada à referência que transmitimos a eles. Isso não está apenas relacionado ao tempo que dedicamos na frente das telas, mas também na forma com que as utilizamos. Mas, afinal, como saber o limite entre o bom uso e o excesso de tecnologia na infância?

O isolamento social e o excesso de tecnologia na infância

Se fôssemos fazer valer muitas das regras com relação ao uso das NTICs (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) estabelecidas antes do período pandêmico, as possíveis horas diante das telas estariam limitadas àquelas dedicadas ao home schooling. E nós, pais, estaríamos deixando para trás metade dos incontáveis compromissos profissionais que hoje fazem parte de nossa rotina. Aliás, a própria Academia Americana de Pediatria reconhece que o uso das telas aumentou significativamente neste momento e fornece dicas importantes de organização para gerenciar melhor esse tempo.

Tudo isso para dizer que não é e não está fácil para ninguém. Mas se assumirmos de verdade e com vontade o controle da situação com nossos filhos, tudo ficará bem. Não será preciso proibir, desde que possamos usufruir dos benefícios da tecnologia. Sim, a rima foi proposital [sic] e o que estou compartilhando com você fundamenta-se em anos de experiência. 

Quando expor meu filho à tecnologia?

Pesquisas nacionais e internacionais indicam que as crianças estão ganhando acesso à internet cada vez mais cedo. Muitas, antes dos 4 anos de idade, são “contempladas” com seus próprios dispositivos. E, algumas delas, fazem uso sem a supervisão de seus pais, conforme indicam algumas das pesquisas realizadas, inclusive pela American Academy of Pediatrics.

O fato é que as evidências continuam mostrando que os benefícios educacionais da mídia digital são limitados para crianças menores de 2 anos. Essas recomendações, tanto da Academia Americana de Pediatria (AAP) como da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), são baseadas em pesquisas e estudos que comprovam que as interações pessoais, além de indispensáveis, são muito mais eficazes do que vídeos para aprender novas habilidades. Antes dos 2 anos, as crianças ainda estão desenvolvendo habilidades que exigem exploração prática e interação social para um desenvolvimento bem sucedido.

Portanto, além de uma criteriosa seleção de provedores de conteúdo, é necessário compreender que a interação dos adultos é muito importante para que as crianças se desenvolvam e possam usufruir dos possíveis benefícios da tecnologia. Aqui, me refiro mesmo ao dever moral e legal de diligência de nós, pais e/ou responsáveis. É preciso certificar se aquele aplicativo, jogo ou site que compromete-se a prover conteúdo infantil está de acordo com necessidades atuais de segurança, saúde e desenvolvimento. Acima de tudo, entender se ele está oferecendo um conteúdo que visa, não somente entreter, mas, inclusive e principalmente, desencadear bons estímulos, além de aprendizado e habilidades relevantes em nossos filhos.

A importância da mediação e do equilíbrio

Tempo e direcionamento de conteúdo, juntos, representam o caminho do sucesso ou insucesso para o uso ético, seguro e responsável das novas tecnologias. Sobretudo quando falamos de crianças, que são tão habilidosas com os aparatos tecnológicos quanto imaturas aos possíveis impactos sobre suas preciosas vidinhas (com carinho).

Claro que um conteúdo apropriado e agregador representa um importante mitigador contra maus resultados. Aliás, quando assistido por um adulto, um bom conteúdo, seja ele digital ou analógico, tende a representar um forte aliado para o desenvolvimento. 

A questão não diz respeito somente ao que estão consumindo no universo digital, mas também ao que estão deixando de fazer enquanto imersos ou, literalmente, abduzidos nele ou por ele. Basta pensarmos que o tempo dedicado às telas representa menos tempo para atividade física, para estar com a família (estar de verdade), pintar, desenhar, brincar e desfrutar da natureza. Conforme recomendações da própria Sociedade Brasileira de Pediatria, além da interação presencial e da socialização, todas as demais atividades mencionadas são indispensáveis para o bem estar físico e mental de nossas crianças. 

Sozinhos, crianças e adolescentes são incapazes de encontrar o necessário Manual de Orientação equilíbrio. São, tal como a Constituição Federal e o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente os definem, seres em condição peculiar de desenvolvimento. Eles carecem e demandam de toda nossa atenção e prioridade, considerando cada etapa um período de plenitude a ser compreendida e respeitada por nós, adultos.

Sinais que indicam que a criança está extrapolando no tempo dedicado às telas

De forma bastante objetiva, sem dispensar uma avaliação clínica do pediatra, psiquiatra e/ou psicólogo, vejo como sinais que merecem especial atenção, os seguintes:

  • Baixa qualidade do sono e da alimentação
  • Socialização comprometida
  • Irritabilidade 
  • Agressividade
  • Dores de cabeça, nas articulações e na cervical
  • Olhos secos
  • Sinais de tristeza 
  • Mudança repentina de comportamento, como por exemplo, desinteresse ou aversão à atividades que até então achavam interessantes e divertidas.

Como evitar que a criança seja acometida por tais efeitos?

  • Estabeleça espaços e momentos em que aparelhos eletrônicos não são bem-vindos. Como, por exemplo, na mesa de refeições, durante um filme, passeios em família, praia, piscina, entre outros.
  • Utilize softwares de controle parental, mas lembre-se: nada substitui o diálogo.
  • Faça (pra valer) um combinado com sua criança sobre as “regras do jogo”.
  • Que tal um momento, dia ou final de semana para um “detox digital” familiar?
  • Seja honesto com sua criança e explique quais os prejuízos de ficar muito tempo “conectado”.
  • Incentive a prática de esportes e atividades ao ar livre junto à natureza.
  • Seja criterioso na escolha ou nas permissões do uso de mídias digitais.

Por fim, devemos reconhecer que os avanços tecnológicos estão cada vez mais rápidos e não há a menor chance desse processo retroagir ou sua velocidade reduzir. Naturalmente, nosso comportamento vem sendo alterado em busca de uma adaptação ao cenário que ora nos cerca. Estamos continuamente aprendendo, mesmo que adultos, a desfrutar da melhor forma dos meios de acesso à informação e comunicação, entre outras tantas oportunidades e benefícios oferecidos pelas novas tecnologias. Tudo muito convidativo. Se nos encanta, quiçá a elas, cujos dedinhos parecem mágicos ao tocar às telas!

“Guie a criança pelo caminho que ela deve seguir e guie-se por ela de vez em quando.” (Josh Billings)

Posso lhe assegurar, que só o fato de você estar lendo esse artigo, está no caminho certo. Nos conte o que achou e se ficou com alguma dúvida, compartilhe conosco também. Acompanhe outras dicas pelo Instagram @alessandraborellivieira!

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Categoria:
Dicas | Tecnologia

Escrito por Alessandra Borelli

Advogada atuante no Direito Digital, sócia e CEO da Nethics Educação Digital, colaboradora dos Manuais de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria, autora do Manual de Boas Práticas para Uso Seguro das Redes Sociais da OAB/SP, e outros livros, artigos e cartilhas relacionados ao tema. Alessandra é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog PlayKids.

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1 Comentário

  1. Nathalia

    Eu amo o playlists ele é muitooooooo legal

    Responder

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