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Como falar sobre adoção com crianças?

por | dez 10, 2020

Ainda considerado um tabu, o tema da adoção preocupa muito pais e mães. Afinal, é grande a chance de uma criança que tem seus pais biológicos conviver com uma criança adotada e questionar o que houve com ela. Da mesma forma, a criança que foi adotada pode questionar a si mesma e ter traumas relacionados ao fato de ter sido abandonada ou perdido os pais biológicos. Diante disso, nesses casos a escolha de muitos pais adotivos é esconder do pequeno a sua história. Mas, afinal, como falar sobre adoção com crianças?

Em primeiro lugar, não há vergonha alguma em ser adotado!

Embora pareça óbvio que ser adotado é uma coisa boa (afinal, a criança ganhou uma família para cuidar dela), muitos ainda vêem a questão como um demérito ou uma mancha na vida de alguém. Uma pena, mas compreensível, afinal ainda há o conceito clássico de família de sangue e qualquer coisa diferente disso ainda causa incômodo. 

Saber sua origem é um direito da criança

Partimos de um princípio importante: nada é maior e mais poderoso do que a verdade. Por isso, saber sua origem é um direito da criança. A pediatra francesa Françoise Dolto disse que “a criança pode suportar todas as verdades” e isso é algo a ser considerado, uma vez que uma vida baseada em uma mentira vai trazer lacunas e fatos desencontrados e consequentemente, traumas perigosos. Saber que foi acolhida em um novo lar e que pessoas escolheram ser seus pais pode trazer para o pequeno a sensação de ser valorizado, escolhido, importante. Traz sentido para a sua vida.

O momento de falar sobre a adoção é na infância 

Quanto mais cedo, melhor e mais fácil. Enquanto o assunto pode ser simplesmente abordado em canções, filmes, desenhos animados e livros infantis, por exemplo. Há ferramentas práticas para os pais. Na adolescência, o tema fica mais complexo e questionamentos como “por que não me contaram antes?” vai trazer um sentimento de desvalorização na cabeça da pessoa. 

Falar do assunto com recursos lúdicos facilita, mas evite frases como “você nasceu em meu coração”, “a vida trouxe você para nós”. A criança merece saber que foi gerada em uma barriga, que nasceu de alguém. Se esse alguém a abandonou ou faleceu, é importante que ela saiba, mas a ênfase tem que ser dada ao que realmente importa: ela foi escolhida e amada pelos novos pais e eles tem orgulho da criança. Vai doer, mas o amor e a verdade vão ser um grande alimento para a mente e alma do pequeno.

Há, obviamente, o medo de ter momentos difíceis durante o crescimento da criança. Afinal, ela pode muito bem soltar em uma briga a frase “você não é minha mãe” ou algo ofensivo. Para elucidar o assunto e trazer conforto, saiba que filhos biológicos encontram sempre um meio de ofender seus pais quando estão furiosos. Trocam-se os termos e as situações, mas as dificuldades estão sempre presentes, não se iluda achando que algum pai está livre disso.

Como falar sobre adoção para crianças que não são adotadas?

Sobre explicar para crianças não-adotadas o que aconteceu com seu amiguinho ou amiguinha, podemos partir de um cuidado essencial: adoção não é caridade e aquela criança não foi salva por seres humanos brilhantes e cheios de luz. Ela, como toda criança, merece um lar, recursos para um crescimento saudável e pais presentes. E ser vista como uma criança como qualquer outra é algo muito importante para o adotado. Ele não quer ser exceção ou acidente, mas sim parte do mundo real.

Conte para a criança que aquele amiguinho passou por uma perda ou situação difícil e que situações difíceis podem acontecer com literalmente qualquer um, independentemente do momento da vida. Não crie a ilusão de que a criança adotada é perfeita ou um anjinho que foi beneficiado. Isso é um erro.

Adoção é um gesto de amor

Para finalizar, uma dica importante: a palavra adoção deve estar presente sempre. Ao ser evitada, ela vira cada vez mais uma coisa misteriosa a ser temida e não o que de fato é: um gesto de amor. Os pais adotivos não tem obrigação alguma de tornar pública a adoção da criança (afinal, pais biológicos não precisam falar para todos sobre a gravidez e o parto, não é mesmo?), mas para o pequeno, ser consciente de quem ele é e de onde veio, é algo empoderador. Traz autoconhecimento, traz força e fortalece um lar.

E um lar feliz e forte é direito de todos!

Leia mais: 

Escrito por João Godoy

Editor de conteúdo na PlayKids, roteirista e produtor de conteúdo apaixonado por narrativas, personagens e o papel do storytelling no desenvolvimento infantil.

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